'A violência não apagou seu sorriso', diz irmão de vítima de feminicídio em Campo Grande

Mario Nantes de Arruda homenageou a irmã Terezinha no dia em que ela completaria 55 anos

| TOP MíDIA NEWS/DAYANE MEDINA


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Três meses após perder a irmã para o feminicídio, Mario Nantes de Arruda encontrou uma maneira de homenagear Terezinha Nantes de Arruda, que completaria 55 anos. Assassinada a facadas pelo marido em julho deste ano, na Vila Bandeirantes, em Campo Grande, ela foi lembrada pelo irmão em uma mensagem marcada pela saudade e pelo desejo de preservar sua história para além da violência.

Natural de Sidrolândia, Terezinha cresceu cercada pela família e por amigos, construiu uma vida dedicada à fé e era conhecida pela generosidade. Ao recordar a irmã, Mario destacou as qualidades que marcaram sua trajetória e os momentos que a família não poderá mais compartilhar com ela.

“A violência levou seus dias futuros, mas não apagou os dias que ela viveu. Não apagou sua voz, seu sorriso, seu exemplo”, escreveu.

Na homenagem, Mario relembra que Terezinha cresceu em Sidrolândia, onde fez amizades e começou a construir seus sonhos. Formada no Magistério, ela tinha o desejo de ensinar e, segundo o irmão, transmitia seus valores também por meio das atitudes do dia a dia.

Cristã, Terezinha era dedicada à igreja e às pessoas próximas. Depois de se casar, mudou-se para Campo Grande, onde viveu 33 anos de relacionamento.

Ao recordar a irmã, Mario lamentou os momentos que a família deixou de compartilhar com ela, mas ressaltou que o feminicídio não pode apagar as lembranças de quem Terezinha foi.

“Mas hoje escolhemos não defini-la pelo modo como partiu. Ela foi muito mais”, escreveu.

Ele também a descreveu como uma mulher discreta, de coração generoso e sempre disposta a ajudar. A homenagem termina com uma mensagem de fé e esperança de que, com o tempo, a dor da perda seja transformada em gratidão pelas lembranças compartilhadas.

Relembre o caso

Terezinha Nantes de Arruda, de 54 anos, foi assassinada a facadas pelo marido, Joel Escócio Carvalho, de 59 anos, no dia 27 de julho de 2026, na Vila Bandeirantes, em Campo Grande.

Segundo as informações divulgadas na época, um dos filhos do casal encontrou os pais mortos dentro da residência e acionou o socorro. Joel matou a esposa e, em seguida, tirou a própria vida.

Conforme a Polícia Civil, Terezinha havia manifestado à família o desejo de se separar, mas o marido apresentava resistência ao fim do relacionamento. O casal estava junto havia mais de 30 anos.

O assassinato de Terezinha foi registrado como o 16º feminicídio de Mato Grosso do Sul em 2026.

Três meses depois, a homenagem do irmão busca preservar a memória da mulher que, segundo ele, deixou uma história de fé, amor e cuidado com o próximo.

“Sua vida foi interrompida, mas sua história continuará em nossas lembranças”, finalizou Mario.



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