Esportes
Da primeira vez com a 10 ao adeus: as histórias de Messi no palco da despedida
Estádio Monumental acompanhou diferentes capítulos da trajetória do craque pela Argentina, da estreia no país à consagração como campeão do mundo
| GLOBOESPORTE.COM / GUSTAVO GARCIA
Dezoito anos, cabelos compridos e a camisa 19 nas costas. Quando Lionel Messi pisou pela primeira vez no gramado do Monumental com a seleção principal da Argentina, em outubro de 2005, sua história com o país ainda estava apenas começando. Mais de duas décadas depois, o cenário se repete para um momento no extremo oposto da carreira.
O estádio do River Plate acompanhou diferentes versões de Messi. Viu o garoto jogar diante dos argentinos pela primeira vez, presenciou seu primeiro gol no país, recebeu a estreia com a histórica camisa 10 e, anos depois, foi palco da festa como campeão do mundo. Agora, o Monumental se prepara para o capítulo final.
A despedida oficial de Lionel Messi da seleção argentina será nesta terça-feira, contra o Benim, em amistoso internacional no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. A partida está marcada para 20h (de Brasília). O sportv transmite o jogo. O ge acompanha em tempo real.
A relação de Messi com o Monumental ajuda a explicar por que o estádio foi escolhido para receber sua despedida da seleção argentina. Para Alejandro Wall, jornalista do Olé, o local se consolidou ao longo de mais de duas décadas como o principal cenário da trajetória do camisa 10 pela Argentina.
- Temos que pensar que o Monumental foi o cenário em que Messi se desenvolveu como jogador da seleção argentina. É claro que houve partidas da Argentina em Córdoba, Mendoza, Santa Fé e até na própria Bombonera, estádio do Boca. Mas o Monumental é o cenário da seleção argentina. O Monumental é, sim, o lugar de Messi e da seleção para se despedir - disse o jornalista ao ge.
Para Ezequiel Fernández Moores, jornalista, escritor e historiador argentino, a escolha do Monumental para a despedida de Messi pela seleção tem um forte componente histórico. O estádio do River Plate se consolidou como a principal casa da Argentina ao longo das últimas décadas e foi também o palco de alguns dos momentos mais importantes da trajetória do camisa 10 com a seleção.
- A casa da seleção na Argentina é o River. Sempre foi, ou praticamente sempre. É o estádio símbolo da Copa do Mundo de 1978. Desde aquela conquista, também se tornou a casa da seleção em termos históricos. Toda a trajetória dele foi praticamente ali. Então, sim, é o estádio - afirmou Ezequiel Fernández Moores.
A escolha do Monumental também ajuda a estabelecer uma diferença simbólica entre Messi e Maradona. Enquanto o estádio do River está diretamente ligado à história da seleção argentina e à trajetória de Messi com a camisa do país, a Bombonera carrega uma identificação especial com Diego.
- A Bombonera é o estádio mais "cartão-postal", por assim dizer, do futebol argentino, mas é algo mais nosso, mais de consumo interno. Para quem está do lado de fora, também chama muita atenção, claro, mas, como casa da seleção, sempre foi o River. É paradoxal, porque a Bombonera é o estádio que mais identificou Diego. Inclusive, a despedida dele, "La pelota no se mancha", foi ali, na Bombonera.
A primeira vez diante dos argentinos
Messi tinha 18 anos quando entrou no Monumental pela primeira vez com a seleção principal. Em 9 de outubro de 2005, a Argentina venceu o Peru por 2 a 0 pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006.
O atacante ainda usava a camisa 19 e foi titular na equipe de José Pekerman. Messi sofreu o pênalti convertido por Juan Román Riquelme para abrir o placar. Era também sua primeira partida pela seleção principal em território argentino. O primeiro jogo tinha sido meses antes, em agosto de 2005, em um amistoso contra a Hungria.
Três anos depois, em outubro de 2008, veio o primeiro gol no país. Messi marcou de cabeça na vitória por 2 a 1 sobre o Uruguai, também no Monumental. A assistência foi de Riquelme, então dono da camisa 10. Aquela seria a última partida de Román com o número pela Argentina. Cinco meses depois, Messi herdaria a camisa no mesmo estádio.
Maradona e a primeira vez com a 10
Em 28 de março de 2009, Diego Maradona fazia seu primeiro jogo oficial como técnico da Argentina. Dentro de campo, Messi aparecia pela primeira vez em uma partida da seleção principal usando a camisa 10. O adversário era a Venezuela, pelas Eliminatórias para a Copa de 2010.
A camisa eternizada por Maradona, então treinador à beira do campo, passava para o jogador de 21 anos apontado como seu sucessor. Messi precisou de 26 minutos para marcar e abriu o placar da goleada por 4 a 0. Ele ainda deu uma assistência para Carlos Tevez. A primeira de inúmeras noites de Messi com a 10 argentina aconteceu justamente no Monumental.
Hat-trick, recorde e a primeira taça
Outro capítulo marcante aconteceu em setembro de 2021. A Argentina enfrentou a Bolívia no primeiro jogo em casa depois da conquista da Copa América, primeiro grande título de Messi pela seleção principal.
O camisa 10 marcou os três gols da vitória por 3 a 0. Com o hat-trick, chegou a 79 pela Argentina, ultrapassou os 77 de Pelé e se tornou o maior artilheiro de seleções sul-americanas naquele momento.
Depois da partida, Messi e os companheiros apresentaram a Copa América aos torcedores. Depois de anos de cobranças por um título com a seleção principal, o capitão finalmente comemorava uma conquista diante do público argentino. Ainda faltava a maior de todas.
A volta como campeão do mundo
Em 23 de março de 2023, o Monumental recebeu a primeira apresentação da Argentina diante de sua torcida depois da conquista da Copa do Mundo.
O amistoso contra o Panamá se transformou em uma grande celebração. A Argentina venceu por 2 a 0, e Messi marcou de falta o segundo gol. Foi o 800º de sua carreira profissional.
Depois da partida, jogadores e familiares permaneceram no gramado para a festa. Messi ergueu a Copa do Mundo diante de um Monumental lotado. Quase 18 anos separavam aquela imagem do garoto de camisa 19 que havia enfrentado o Peru no mesmo estádio.
Hat-trick e despedida antes do adeus
O Monumental ainda seria palco de outra grande atuação. Em outubro de 2024, Messi participou diretamente de cinco gols na vitória por 6 a 0 sobre a Bolívia: marcou três vezes e deu duas assistências.
Em setembro de 2025, o clima já era de despedida. Contra a Venezuela, Messi disputou sua última partida pelas Eliminatórias em território argentino. Com a família presente, marcou duas vezes na vitória por 3 a 0.
Do garoto com a 19 ao adeus com a 10
O Monumental acompanhou praticamente toda a transformação de Messi com a Argentina. Ali ele jogou pela primeira vez diante de seu país, marcou seu primeiro gol em território argentino e vestiu a camisa 10 pela primeira vez na seleção principal, com Maradona na área técnica. Anos depois, apresentou a Copa América e voltou ao mesmo gramado como campeão do mundo. Mais de duas décadas depois da primeira aparição, o círculo se fecha.
O garoto de 18 anos e camisa 19 virou capitão, recordista de jogos e maior artilheiro da história da Argentina. E será no mesmo estádio onde começou sua história com a 10 que Messi encontrará a torcida argentina para dizer adeus nesta terça-feira. O ge acompanha a partida em Tempo Real.
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