Geral
Circuito Urbano transformará muros de Dourados em exposição permanente de arte a céu aberto
| DOURADOSNEWS / REDAçãO
Muros de diferentes regiões de Dourados vão ganhar novas cores, histórias e significados a partir de setembro. O projeto “Circuito Urbano: Arte nos Territórios de Dourados”, financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB, por meio do Edital nº 002/2026 da Secretaria Municipal de Cultura de Dourados (MS), vai transformar espaços públicos da cidade e dos distritos em uma grande exposição de arte urbana a céu aberto, com a criação de cinco murais de grande formato produzidos por artistas locais. Ao final, os cinco murais passarão a integrar a exposição permanente “Circuito Urbano: Arte nos Territórios de Dourados”, acessível gratuitamente à população e incorporada à própria paisagem urbana. Mais do que levar obras prontas até essas comunidades, o projeto propõe que o público acompanhe o processo de criação. Durante a produção dos murais, moradores, estudantes, trabalhadores, pedestres e demais frequentadores desses territórios poderão observar de perto o trabalho dos artistas, conhecer etapas da pintura e estabelecer um contato mais direto com o graffiti e o muralismo. A iniciativa busca, dessa forma, descentralizar o acesso à cultura, levando ações artísticas para além da região central de Dourados e transformando espaços do cotidiano em locais de expressão, convivência e encontro. Os murais vão explorar referências ligadas à vida urbana, à diversidade cultural, às tradições, à identidade e às paisagens naturais da região, valorizando elementos que fazem parte da experiência coletiva das comunidades. Para a produtora executiva do projeto, Nathalya Botelho Escobar, a expectativa é que o Circuito Urbano deixe um resultado que ultrapasse o período de realização das pinturas, “nossa expectativa é que o Circuito Urbano consiga aproximar ainda mais as pessoas da arte e, principalmente, levá-la para lugares onde ações desse tipo não acontecem com tanta frequência. Cada mural fica para a comunidade. Então, além da experiência de acompanhar o artista trabalhando, existe um legado concreto para o bairro ou distrito, que passa a ter uma obra criada naquele território e integrada à sua paisagem. Queremos que as pessoas olhem para esses espaços com um novo sentimento de pertencimento e valorização”. Arte como parte do território A proposta parte da ideia de que a cidade também pode funcionar como espaço expositivo. Em vez de concentrar as obras em uma galeria ou equipamento cultural, o Circuito Urbano utiliza muros voltados para a rua como suporte artístico, fazendo com que o contato com a produção cultural aconteça naturalmente no deslocamento cotidiano das pessoas. A primeira intervenção será realizada no distrito de Itahum, entre os dias 17 e 20 de setembro, na Escola Municipal José Eduardo Canuto Estolano. O responsável por inaugurar o circuito será Marcelo, conhecido como Big, artista ligado à cena do graffiti de Dourados. O cronograma divulgado prevê que as pinturas possam ser acompanhadas pelo público das 9h às 17h. Natural de Dourados e morador da Vila Cachoeirinha, Big teve contato com tintas desde a infância por influência do pai, que era pintor. O artista costuma resumir essa relação dizendo que foi “criado dentro de um balde de tinta”. Mais tarde, seu encontro com a cultura hip-hop e com o grafiteiro e b-boy Rudmar apresentou a ele os diferentes elementos do movimento e abriu caminho para que o graffiti se tornasse uma de suas principais formas de expressão artística.
A escolha de Itahum para iniciar o percurso também reforça um dos pilares do projeto: reconhecer bairros e distritos como espaços de produção e circulação cultural, estimulando o contato da população com a arte urbana e contribuindo para a valorização estética dos espaços públicos. Depois de Itahum, as intervenções seguem para Vila Formosa, Vila São Pedro, Jockey Club e Praça do Transbordo, com atividades previstas até novembro. O cronograma completo reúne ações em escolas, quadra poliesportiva e espaço público da região central, ampliando geograficamente o alcance da exposição. Ao término das cinco intervenções, os murais permanecerão nos locais em que foram produzidos. Assim, o Circuito Urbano deixa de existir apenas como uma programação temporária e passa a fazer parte de Dourados como uma exposição pública contínua, aproximando produção artística, identidade, memória e território.
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