Policial
Baleado na fronteira, dono de funerária critica soltura de filha suspeita
Empresário diz que jovem planejou ataque por herança e questiona decisão da Promotoria
| GUSTAVO BONOTTO E HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS
Baleado no fim de semana em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha a Ponta Porã, o empresário Marcelino Morel Cabrera, de 61 anos, criticou nesta terça-feira (8) a soltura da filha, Lucía Morel Alves, a quem acusa de mandar matá-lo para ficar com seus bens. Dono da funerária Pax Conesul, ele voltou a apontá-la como responsável pelo atentado durante entrevista concedida depois de deixar o hospital.
Marcelino disse ao site Notícias Central PJC não compreender por que Lucía foi liberada pouco tempo depois de ser detida e afirmou temer nova tentativa contra sua vida. Segundo ele, já relatou aos investigadores as circunstâncias do atentado e os motivos pelos quais desconfia da filha. “Eu já declarei, já disse como foi. O que mais a Promotoria quer? Minha própria filha vai me matar?', questionou, em tradução livre.
O empresário atribui a tentativa de matá-lo a uma disputa pelo patrimônio da família. Ele afirmou que Lucía é sua única herdeira e sustentou que a morte permitiria que ela ficasse com seus bens. “Ela já tinha tudo planejado desde o princípio: a minha morte', declarou.
Durante a entrevista, Marcelino contou que conheceu a filha quando ela já era adulta e depois a reconheceu oficialmente. Anos mais tarde, entregou a ela a administração da Pax Conesul, comprou veículos para a empresa e contraiu financiamentos para manter o negócio. A relação, segundo ele, piorou por divergências sobre as contas da funerária e o uso dos automóveis.
O empresário afirmou que, no sábado (5), cobrou a devolução de um dos veículos por causa de uma dívida. Segundo Marcelino, recebeu a informação de que o carro seria levado até ele depois das 10h. Pouco tempo depois, enquanto acompanhava trabalhadores que faziam reformas em um imóvel, um homem chegou de motocicleta, sacou uma arma e abriu fogo.
Marcelino correu para os fundos da casa, mas foi atingido nas costas e na coxa. Ele afirmou que poucas pessoas sabiam onde estava naquela manhã e usou esse ponto para sustentar novamente a acusação contra Lucía. O empresário também disse não manter conflitos que, na avaliação dele, poderiam explicar o ataque.
O dono da funerária também negou desavenças com dono de funerária concorrente na região. Marcelino acredita que a própria filha pretendia direcionar a responsabilidade pelo crime à outra empresa caso o atirador conseguisse matá-lo. “Se o pistoleiro me matasse, ela colocaria a culpa na outra empresa como mandante, mas não é assim', afirmou.
O caso veio a público no sábado (5) , quando Marcelino foi socorrido e levado ao Hospital Privado Viva Vida. Ainda durante o atendimento, familiares relataram às autoridades que ele havia acusado Lucía de encomendar o ataque e apontado uma disputa por bens e pela administração das empresas como possível motivo.
Pessoas próximas também citaram disparos anteriores contra estabelecimentos ligados ao grupo empresarial.
Lucía chegou a ser detida durante a apuração, mas foi liberada porque a Promotoria informou não haver elementos suficientes para mantê-la presa. O Ministério Público e a Polícia Nacional do Paraguai continuam com as investigações. Até agora, nenhuma prova divulgada pelas autoridades confirmou que ela tenha ordenado o atentado.
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