Kaily Yada - MANUAL DE FRAGILIDADE COLETIVA

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MANUAL DE FRAGILIDADE COLETIVA

Chamam de sensibilidade,
mas é alergia ao não.
Qualquer limite é ataque,
qualquer espera é opressão.
Confundem frustração
com violência emocional.
Se não vem do jeito exato,
o mundo inteiro está mal.

Valores descartáveis,
embalados em frase pronta.
Trocam caráter por like,
convicção por afronta.
Não sustentam uma crítica,
mas querem palco e razão.
Choram alto por tudo,
mas fogem da construção.

Tudo vira trauma,
tudo vira “me feriu”.
Nunca é erro próprio,
foi o universo que falhou, viu?
Querem frutos imediatos
de sementes nunca plantadas.
Querem respeito automático
com atitudes mal ensaiadas.

Chamam esforço de toxicidade,
disciplina de repressão.
Responsabilidade cansa,
culpar sempre dá solução.
Vivem de discurso bonito
com prática em modo avião.
Exigem acolhimento eterno
sem oferecer a mão.

Não sabem perder,
não sabem esperar,
não sabem ouvir um não
sem precisar espernear.
Tudo é “gatilho”, “mimimi”,
“ninguém me compreendeu”.
Mas ninguém cresce inteiro
sem cair no que doeu.

Confundem opinião
com verdade universal.
Se discordou, é inimigo,
é cancelamento moral.
Querem um mundo moldado
ao tamanho do ego frágil.
Mas a vida não se curva
a quem quebra por ser instável.

Não é crueldade, é constatação:
amadurecer dói mesmo.
E quem foge da dor mínima
não sustenta peso intenso.
Enquanto reclamam do vento,
outros aprendem a remar.
Uns fazem barulho de vítima,
outros aprendem a ficar.

No fim, a vida ensina
sem legenda e sem aviso:
não é o mundo que é duro demais,
é a geração que desaprendeu o atrito.



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