Região
Pai corre contra o tempo para tentar salvar a vida da filha
Bebê nasceu com somente uma válvula no coração e precisa fazer cirurgia antes dos seis meses. Prazo acaba dia 24 de janeiro
| CORREIO DO ESTADO / NERI KASPARY
Pai de três homens já adultos, de 22,28 e 33 anos, o funcionário público Mecias Souza Alves, de 56 anos, está literalmente correndo contra o tempo para tentar salvar a vida da filha caçula, que no próximo dia 24 completa seis meses. “Ela tem cardiopatia congênita e se não fizer a cirurgia antes de completar seis meses, provavelmente vai morrer”.
A bebê tem Síndrome de Down e nasceu com somente uma válvula no coração e, conforme o pai, é fundamental que instale uma segunda válvula antes dos seis meses para que ela possa se desenvolver com saúde. Porém, por ser de alto risco, o procedimento precisa ser feito em São Paulo.
“A técnica cirúrgica é de altíssima complexidade, o que requer condições técnicas peculiares para garantir a segurança e eficácia do procedimento, que se apresenta como sendo o melhor meio cabível para salvaguardar a vida da paciente” diz trecho do laudo assinado pelo médico Marcelo Jatene, chefe da equipe de cirurgia do hospital Beneficência Portuguesa que está disposta a fazer a intervenção.
“Nossa equipe cirúrgica é referência nacional em correção de cardiopatia congênita, com histórico de centenas de procedimento realizados em pacientes vindos de todo o país. Média mensal de procedimentos realizados em torno de 20 cirurgias”, segue o texto assinado pelo médico paulista.
O documento foi assinado no dia 23 de novembro, informando que o ideal é que a cirurgia fosse feita em 30 dias. Porém esse prazo acabou e a Cassems até agora não liberou o procedimento, pelo qual o hospital paulista está cobrando R$ 75 mil.
“A Cassems não negou, mas o tempo está passando e essa autorização não sai. Estamos desesperados. Já falei pessoalmente com o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro, com o deputado Júnior Mochi, que é da minha cidade (Coxim), com a prefeita de Campo Grande, que é da minha igreja, e com o próprio presidente da Cassems. Agora, minha última esperança é a ajuda da imprensa”, desabafou, com a voz embargada, o pai desesperado, que já foi vereador em Coxim.
Ele perdeu a primeira esposa para o câncer e a pequena Myllena é fruto de um segundo casamento com a esposa, de 42 anos, que trabalha no setor administrativo do hospital de Pedro Gomes e por isso a bebê é beneficiária do plano de saúde dos servidores estaduais.
Para lembrar da gravidade da situação da filha, Mecias cita o caso do cantor João Carreiro, que não suportou a cirurgia na válvula do coração e morreu na quarta-feira (3) exatamente porque teria esperado demais para fazer o procedimento,
DSe acordo com ele, somente na Santa Casa de Campo Grande morreram 11 crianças entre janeiro e outubro do ano passado em decorrência de problemas de cardiopatia congênita.
“Não vou ficar mais calado, o que interessa é a vida da minha filha, não vou apostar para ver”, afirmou na manhã desta sexta-feira (5), após receber telefonema do presidente da Cassems, Ricardo Ayache, pedindo para que tivesse paciência e esperasse até a próxima semana antes de divulgar o drama da família.
Inicialmente, há três meses, a médica da filha indicou uma equipe cirúrgica do H Cor, também de São Paulo, para o procedimento. Esse pedido, contudo, foi recusado pela Cassems, que indicou o hospital Beneficência Portuguesa.
Inicialmente a família se recusou a aceitar essa mudança, mas faz quase dois meses que a alteração foi aceita. Mesmo assim, a autorização não saiu. Mecias diz que a equipe paulista tem agenda para o próximo dia 15 e seu temor é que outra cirurgia seja marcada e a filha perca o prazo, já que restam apenas 19 dias.
O problema de saúde de Myllena é uma das características de crianças que nascem com a Síndrome de Down. “Cerca de 80% das crianças com esse problema de saúde e que precisam dessa cirurgia têm a síndrome”, relata ele ao afirma que a filha já começou a perder peso justamente porque o procedimento está demorando.
Ela está com 4,5 quilos, mas já havia chegado a cinco. “Isso é muito grave e por isso o meu desespero. Ela só continua viva graças a cinco medicamentos que toma diariamente”, explica.
E, em meio ao desespero, sua esperança aumentou após receber o telefonema do presidente do plano de saúde. “Se ele interrompeu as férias e me ligou pessoalmente, acho que agora essa autorização sai e nossa família vai ver a bebê crescendo forte e saudável”.
A reportagem do Correio do Estado procurou a assessoria da Cassems em busca de informações sobre a autorização da cirurgia, mas até a publicação da reportagem não havia recebido retorno. Assim que as explicações chegarem, serão acrescentadas à matéria.
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