Brasil/Mundo
Ondas de calor gigantes se tornam mais frequentes e alerta global é ligado
Reuters analisou dados de temperatura a cada hora desde 1960.
| CORREIO DO ESTADO / JOãO V. VALENçA
Nas últimas seis décadas e meia, as ondas de calor evoluíram de fenômenos raros e localizados para eventos climáticos de escala planetária. Capazes de cobrir vastas regiões por períodos que se estendem além de um ano. A transformação é tão radical que meteorologistas e pesquisadores climáticos agora distinguem esses eventos extremos sob um novo conceito: as 'tempestades de calor'.
Para quantificar essa mudança, a Reuters analisou dados de temperatura a cada hora desde 1960 em mais de um milhão de pontos geográficos ao redor do globo. A comparação entre décadas revela uma escalada alarmante: enquanto a década de 1960 registrava em média cinco tempestades de calor por ano, o período atual acumula cerca de 102 anualmente.
Da raridade à rotina climática
A maior tempestade de calor dos anos 1960 afetou aproximadamente 6% do planeta durante 46 dias consecutivos, atingindo o Oceano Atlântico, partes da América Latina e da África Ocidental. Em contraste, a maior onda já registrada durou 367 dias entre 2023 e 2024, abrangendo quase 85% da superfície terrestre e provocando impactos humanitários sem precedentes.
Os critérios técnicos para esta classificação estabelecem que uma tempestade de calor deve abranger. Em seu pico, pelo menos 1% do globo — aproximadamente o tamanho da metade do Canadá — durante cinco ou mais dias consecutivos com temperaturas anormalmente elevadas.
Essa amplitude demonstra por que a terminologia antiga de 'onda de calor' tornou-se inadequada: fenômenos dessa magnitude representam uma ordem diferente de catástrofe climática.
Impactos concretos em vidas e infraestruturas
Os efeitos práticos dessas tempestades de calor transcendem números, deformando trilhos ferroviários e causando milhares de mortes. Durante o verão Europeu de 2023, uma tempestade de calor dominou junho e julho, provocando recordes de temperatura em cidades como Bordeaux, Budapeste e Bilbao, onde foi registrado 42,7 graus Celsius.
Governos europeus estimaram mais de 10.000 mortes adicionais em uma semana, com infraestrutura colapsada e zoológicos belgas resfriando tigres com carne em gelo. Nas Filipinas, durante aquela mesma onda de 367 dias, temperaturas atingiram 38°C em várias regiões.
Em Manila, o professor Joel Arrojado testemunhou seu aluno desmaiar sobre a carteira devido ao calor extremo. Tinha nariz e peito sangrando — um sangramento nasal espontâneo, comum em condições de calor excessivo. A criança implorou para que o professor ligasse para a mãe, enquanto mais sangue jorrava de suas narinas.
Cascata de desastres em cadeia
A mesma tempestade que afetava as Filipinas também assolava o sul da Louisiana por meses consecutivos, agravando uma seca histórica. O Estado enfrentou o pior incêndio florestal desde a Segunda Guerra Mundial, conforme descreveu o governador, além de cerca de 600 outros incêndios apenas em agosto.
Posteriormente, a fumaça resultante de um foco ainda ativo em um pântano formou uma 'superneblina' que ofuscava a visibilidade nas rodovias, causando um engavetamento com pelo menos 158 veículos.
Esses exemplos conectam um fio invisível entre fenômenos climáticos globais e traumas cotidianos de populações específicas. Quando a Universidade Victoria de Wellington e pesquisadores de Yale analisaram esses padrões emergentes, confirmaram que as tempestades de calor não são anomalias passageiras — representam o novo Estado climático do planeta.
Clique aqui e confira as últimas notícias de Itaporã!
Siga o Itaporã News no Youtube!
Grupo do WhatsApp do Itaporã News Aberto!
WhatsApp. VIP do Itaporã News clicando aqui!"
WhatsApp do Itaporã News, notícias policiais!
"Ao vivo a programação da Alternativa FM de Itaporã."















