Rebeca Andrade avança na liderança do salto do Mundial, e Brasil leva cinco vagas nas finais

Campeã olímpica faz equipe brasileira saltar três posições na última nota e garantir último posto na decisão por vaga em Los Angeles 2028. Flavinha e Lorrane também vão às finais

| GLOBOESPORTE.COM / JULIA GUIMARãES E LORENA DILLON


Rebeca Andrade no Mundial de ginástica artística — Foto: MeloGym/CBG
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Coube a Rebeca Andrade saltar para encaminhar a vaga do Brasil na final por equipes. Justamente a campeã olímpica do salto teve a responsabilidade da última nota, praticamente precisando cravar. E foi o que ela faz. Rebeca foi para a liderança do salto e fez o time verde-amarelo ultrapassar três adversários na última nota para arrancar a última vaga na decisão do Mundial de Roterdã. Flávia Saraiva também brilhou, especialmente na trave, em que avançou na terceira posição. Flavinha também foi à final do individual na 12ª posição, em que vai ter a companhia de Lorrane Oliveira, 22ª colocada.

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A briga pela final por equipes e por vagas olímpicas

Além das medalhistas olímpicas Rebeca, Flávia e Lorrane, o Brasil contou com Thais Fidelis e Sophia Weisberg - Gabriela Bouças foi a reserva. A equipe somou 159,131 pontos para ficar na oitava posição, superando a Grã-Bretanha por menos de dois décimos. A China liderou com 164,996 pontos, seguida dos Estados Unidos (164,529) e da Rússia (163,662).

A final da quarta-feira, às 14h30 (de Brasília), vai distribuir vagas olímpicas antecipadas para as equipes medalhistas. O Brasil tem chances de ir ao pódio se fizer uma final perfeita, mas o foco está em classificar para Los Angeles durante o Mundial de 2027, na China, onde mais nove vagas olímpicas vão estar em jogo. Por ter alcançado a final em Roterdã, as brasileiras garantiram a classificação para o Mundial do ano que vem - a equipe masculina do Brasil vai precisar se classificar no Campeonato Pan-Americano.

- É uma construção. A gente já sabia desde o começo do ano que a Rebeca ia se preparar para fazer apenas dois aparelhos, e a gente optou por não dificultar tanto salto e focar na execução. A gente fez uma estratégia com a Rebeca, e as outras peças também tem que estar pronta, né? A gente trouxe meninas aqui pra ganhar experiência, precisam realmente competir e tem que ser no Mundial - disse Francisco Porath, técnico de Rebeca e da seleção brasileira.

O retorno de Rebeca ao Mundial

Foi a primeira grande competição de Rebeca Andrade desde as Olimpíadas de Paris. A campeã olímpica tirou o ano de 2025 para recuperar corpo e mente do desgaste para conquistar quatro medalhas nos Jogos Olímpicos de 2024. De volta, Rebeca brilhou no salto com um Duplo Twist Yurchenko para 14,400 pontos (5,0 de dificuldade) e um Lopez para 14,266 (4,8). Com dois décimos de bonificação por executar saltos de grupos diferentes, ela ficou com média de 14,533, muito próxima dos 14,549 que fez no Campeonato Pan-Americano de junho, a maior do mundo neste ano. Provavelmente teria lugar na final da trave também não fosse por uma queda.

- É muito bom estar de volta. Eu me senti muito feliz dentro da competição, ajudando as meninas, vibrando, torcendo. Eu estava bem tranquila também, isso é muito importante. Eu precisava muito desse período de descanso. Eu me sentia muito esgotada, então ter tirado esse ano pra mim foi maravilhoso. Fiz um planejamento bem legal com o Xico, respeitando cada momento e cada retorno meu pra não passar por cima das coisas, evitar ao máximo lesões novas que eu poderia ter, tratar lesões antigas que eu estava tendo, e era o principal de eu ter pensado em me aposentar - disse Rebeca.

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Flavinha avança em terceiro lugar na trave

Flávia Saraiva foi estratégica no seu principal aparelho. Quarta colocada no Mundial do ano passado e duas vezes finalista olímpica da trave, a brasileira optou por simplificar a sequência acrobática para não correr riscos e focar na boa execução. Deu certo. Ela foi precisa e conseguiu 14,400 pontos (6,1 de dificuldade). A ginasta liderou o aparelho até a última subdivisão, quando foi superada pelas favoritas chinesas Zhang Qingying (15,100 - maior nota da competição feminina) e Qiu Qiyuan (14,966).

- É uma aparelho de cada vez, um elemento de cada vez, tem muita coisa pra melhorar assim e é focar. No primeiro dia sai um peso também, né!? Porque querendo ou não a gente estava aqui três dias angustiantes, porque os meninos competiram parece que já tem uma semana (foi sábado pela manhã) e a gente já tá mais de um mês aqui fora. Parece que chegava o Natal e não chegava a nossa competição - brincou Flavinha.

Prova a prova

Barras assimétricas O Brasil começou em um aparelho que historicamente é o ponto fraco da equipe. Thais Fidelis abriu a rotação com uma boa forma nas barras até o momento da saída, quando teve erros de execução e tirou 12,200 (5,0 de dificuldade). Sophia pareceu nervosa e teve duas quedas para tirar 10,033 (4,8), nota que foi a de descarte da equipe. Na sequência, Lorrane praticamente cravou a série para 13,700 (5,6), e Flávia deu dois passos grandes na chegada, mas evitou a queda e conseguiu 13,300 (5.6). Assim, o Brasil somou 39,200 pontos nas barras.

Trave Thais abriu a trave com segurança, teve apenas desequilíbrios leves e deixou de executar ligações de elementos para focar na boa execução, sendo recompensada com 13,500 pontos (5,3). Lorrane teve desequilíbrios médios e precisou colocar a mão na trave para não cair do aparelho: 12,466 (5,5). Aí Flavinha entrou em ação e deu show. Simplificou a sequência acrobática para não correr riscos e foi precisa. Ela tirou 14,400 (6,1) e disparou para a liderança do aparelho. Rebeca Andrade fez seu retorno ao Mundial e estava indo muito bem, mas sofreu uma queda em uma acrobacia. Ainda assim conseguiu 13,033 (5,5) para levar o somatório do Brasil a 40,933 pontos na trave, um dos melhores países no aparelho.

Solo Thais abriu bem no solo mais uma vez. Deu passos largos na chegada de duas acrobacias, mas conseguiu 12,733 (5,3). Ao som de Pedro Sampaio, Sophia entrou mais calma no solo e só pisou fora do tablado em uma acrobacia, o que lhe custou três décimos, mas ficou com 12,566 (5,3). Lorrane abria o sorriso a cada acrobacia bem executada, inclusive um Dos Santos I. Ao som do tema do filme 007, conseguiu 13,133 pontos. Flavia praticamente cravou o solo de Ney Matogroso e Luiz Gonzaga, embora não tenha sido a série de maior dificuldade da ginasta. Ela conseguiu 12,866 (5,4). Assim, o Brasil somou 38,732 no solo.

Salto Lorrane abriu o salto com um Yurchenko com pirueta (FTY): 12,866 (4,2). Sophia fez um salto mais difícil, um Yurchenko com dupla piruete (DTY), mas sofreu a queda na chegada, e tirou 12,766 (5,0). Flavinha simplificou o salto de DTY para FTY para poupar a coxa esquerda, com um incômodo desde o aquecimento do treino de pódio, na sexta-feira. Ela cravou e conseguiu 13,000 (4,2). Rebeca precisava cravar o DTY do primeiro salto para elevar a nota do Brasil. A campeã olímpica só teve um mínimo desvio de direção, mas tirou 14,400 (5,0), justamente o que a equipe brasileira precisava para passar Grã-Bretanha, Alemanha e Holanda na última nota. Rebeca ainda saltou o Lopez (4,8 de dificuldade) para tentar a vaga na final do aparelho e mais uma vez foi impecável: 14,266. Com a bonificação de 0,2 por executar saltos com entradas diferentes no aparelho, a média da brasileira foi de 14,533 pontos, a maior da competição até aqui.



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