Quatro casais renovam votos juntos em cerimônia maçônica

Celebração homenageou histórias de amor construídas ao longo de décadas

| THAILLA TORRES / CAMPO GRANDE NEWS


Cerimônia foi realizada na ARLS (Augusta e Respeitável Loja Simbólica) Egrégora XIII nº 64, no Bairro Coophasul
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Uma cerimônia pouco conhecida fora dos templos maçônicos reuniu quatro casais para renovar os votos conjugais em Campo Grande. Realizado na ARLS (Augusta e Respeitável Loja Simbólica) Egrégora XIII nº 64, no Bairro Coophasul, o ritual foi marcado por vestidos de noiva, alianças, familiares emocionados e uma mensagem central: reafirmar o compromisso de continuar escolhendo um ao outro todos os dias.

Apesar das semelhanças com um casamento tradicional, a própria maçonaria faz questão de diferenciar os dois momentos. A celebração não substitui o matrimônio civil, mas funciona como uma homenagem à trajetória construída pelos casais e aos valores de amor, respeito e companheirismo cultivados ao longo dos anos.

A celebração reuniu Zuliney Acosta e Augusto Medeiros Mantero, Nilcéia Carvalho da Fonseca e Antônio Ramão Aquino Júnior, Rosângela Pacheco de Lima e Marcelo Pereira de Souza, além de Mari Cleuza Ribeiro Piccinin e José Sizandro Piccinin.

Durante a abertura, o venerável mestre Almir Almeida fez questão de esclarecer que a cerimônia não substitui nem se confunde com o matrimônio civil. 'Não pode, nem deve ser confundida com o matrimônio. Nós nos limitamos à reafirmação desse mesmo matrimônio', destacou.

A ideia surgiu a partir de um sonho antigo de Zuliney. Ela conta que, anos atrás, comentou com Almir que gostaria de viver uma cerimônia dentro da maçonaria. Na época, ouviu dele uma resposta direta. 'Sem chance, minha irmã', recorda, entre risos.

O desejo, porém, permaneceu vivo. Casada há quase 15 anos com Augusto, Zuliney acredita que tudo aconteceu no momento certo.

'Foi uma noite cheia de comprometimento, realização, paz e amor. Nós fomos quatro casais reafirmando nosso compromisso de permanecer juntos. O amor, o respeito e a cumplicidade são as coisas mais preciosas que existem', afirma.

A história dela com Augusto começou em um baile, em setembro de 2010. Decidida, ela atravessou o salão para tirar para dançar o homem que a observava havia algum tempo. Depois de uma noite inteira ao som da sanfona, surgiu a curiosidade para saber mais sobre aquele desconhecido. Zuliney chegou a pedir ajuda a um amigo investigador para descobrir informações sobre ele e, dias depois, conseguiu o telefone usando um pretexto de entrevista jornalística.

O namoro evoluiu rapidamente. Após a perda do pai dela, Augusto se tornou apoio fundamental e os dois decidiram construir uma vida juntos. Hoje, quase 15 anos depois, renovaram os votos diante de familiares, amigos e irmãos maçônicos.

Outro casal que participou da cerimônia foi formado por Antônio Ramão Aquino Júnior, de 58 anos, e Nilcéia Carvalho da Fonseca, de 55. Eles se conheceram em 2002, quando ambos saíam de relacionamentos anteriores.

Primeiro veio a amizade. Depois, a identificação. 'Percebemos o quanto éramos semelhantes, principalmente no cuidado com nossas famílias', conta Nilcéia.

Os dois passaram a viver juntos em outubro de 2003. Em 2007 nasceu a filha Luísa, hoje acadêmica de Direito. A união foi formalizada no civil em abril deste ano, mas a confirmação dentro da maçonaria era um desejo antigo.

A emoção tomou conta da cerimônia quando Nilcéia entrou acompanhada pelo irmão, também maçom, representando o pai, falecido em setembro do ano passado. 'Ver o amor da minha vida me acompanhando na entrada, nossa filha trazendo as alianças e ouvir as palavras do venerável mestre foram momentos muito emocionantes', lembra.

Para ela, a celebração representa a renovação de um amor construído diariamente. 'Escolhemos um ao outro todos os dias', resume.

A emoção também marcou a história de Rosângela Pacheco de Lima, médica veterinária de 51 anos, e Marcelo Pereira de Souza, contador e perito contábil de 55. Os dois se conheceram ainda no ensino médio e estão juntos desde 1º de janeiro de 1989.

A ideia de uma cerimônia maçônica surgiu quando Marcelo ingressou na instituição e, aos poucos, transformou-se em um sonho compartilhado. O momento mais marcante para Rosângela aconteceu logo na entrada. 'Quando entrei no templo de braços dados com nosso filho Lucas, foi impossível não me emocionar.'

Após mais de três décadas de convivência, ela resume o significado da renovação dos votos de forma simples. 'O amor sempre será uma eterna paixão, alegria, respeito e renovação.'

Já para Mari Cleuza Ribeiro Piccinin, agente de segurança privada, e José Sizandro Piccinin, doutor em artes marciais, a história também começou em um baile, ambiente que ambos consideram uma paixão em comum.

Juntos há 15 anos, eles sonhavam com um casamento. A possibilidade de realizar uma cerimônia dentro da maçonaria surgiu quase por acaso. 'Acabou sendo muito melhor do que esperávamos', conta Mari.

Ela descreve a noite como uma sequência de emoções e destaca o empenho dos organizadores para que tudo acontecesse. 'Foi tudo perfeito.'

Para o casal, a cerimônia representa um marco e também o início de uma nova fase da vida a dois.

Ao longo da celebração, os discursos reforçaram valores como amor, respeito, compreensão e companheirismo. Em uma das mensagens aos casais, o venerável mestre lembrou que a união conjugal se fortalece justamente na reciprocidade desses sentimentos.

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