Caso Vorcaro: PF revela rede política e ameaças de irmã

Investigação detalha a influência de Daniel Vorcaro no meio político e tentativa da família em silenciar irmã do sicário do banqueiro, morto na prisão

| ÚLTIMO SEGUNDO / MARIZA SABINOMARIZA SABINOGRADUADA EM JORNALISMO PELA UFT, ESPECIALISTA EM CONTEúDO MULTIPLATAFORMA, MARKETING DIGITAL E SEO. PALESTRANTE NO VI CONGRESSO DE MARKETING POLíTICO E ESTRATéGIAS ELEITORAIS SOBRE O USO DAS REDES SOCIAIS. MãE, B


- ReproduçãoInvestigações da PF apontam que Vorcaro pagaria 'mesada' a Ciro Nogueira no valor de R$ 500 mil por facilidades no Congresso
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Conforme avançam as investigações da Operação Compliance Zero , comandada pela Polícia Federal (PF), os ramificações da atuação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e do liquidado Banco Master. Os relatórios oficiais da polícia encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) evidenciam uma extensa rede de influência política coordenada para favorecimento da instituição financeira e também, vigiar os movimentos de autoridades e órgãos de controle.

Todo esse sistema ganha contornos mais obscuros nos bastidores com o surgimento de uma figura com elo estratégico: ameaças da irmã de seu operador violento da 'Turma', Luiz Phillipi Mourão (Sicário)  mostram a tentativa de desarticular a ação da cúpula.

Até agora, o que se sabe através das autoridades, operações e vazamentos à imprensa é que o empresário tinha extensa penetração nos Três Poderes.

No ambiente político, Daniel Vorcaro fortalecia sua articulação por meio de vantagens e favores amistosos a parlamentares  que vão desde a jantares de alto custo a custeio total de viagens internacionais de lazer com sua presença.

Dentre as relações mantidas por Vorcaro, as investigações apontam a do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro  - cassado recentemente -, que teria induzido a colocar  R$ 970 milhões do fundo Rio Previdência em investimentos do Banco Master. Mensagens extraídas dos celulares do banqueiro - oito ao todo -, revelam encontros regulares e despesas milionárias bancadas pelo empresário. 

As suas relações se extende para além da Esplanada, em Brasília (DF). Vorcaro tinha  agentes federais da PF debaixo das 'asas'.

Dois integravam a 'Turma', a milícia de colarinho branco do banqueiro.

Um escrivão da PF também foi identificado nas investigações. Este é apontado por fazer consultas ilegais através do sistema interno da corporação, desde 2021, a fim de notificar o grupo sobre possíveis diligências.

Só que o universo do caso Vorcaro ficou ainda mais abalado, após o sicário tirar a sua própria vida dentro da carceragem da PF, em Belo Horizonte. A morte do principal operador do empresário desencandeou uma reviravolta recente no caso: a irmã de Mourão, Joana Mourão, bate de frente com a família Vorcaro e cobra literalmente pela tragédia familiar e silêncio.

Mensagens trocadas por aplicativo de mensagens no celular interceptadas pela polícia mostram Joana desabafando sobre dificuldades financeiras dela e de sua mãe, com críticas de que os Vorcaro estavam 'vivendo como reis' e não mandaram 'uma única flor' no velório de Phillipi.

E então, rapidamente, a tônica das mensagens sobe para ameaças direcionadas e denúncia. Em uma das mensagens enviadas ao membros da Turma, a irmã do Sicário afirma em imperativo: 'Eu tenho material pra acabar com a família inteira'.

Joana faz mais ameaças e diz que vai revelar arquivos guardados à imprensa que estão na nuvem do aparelho telefônico do irmão: 'Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades'.

A cúpula da Turma agiu rapidamente frente ao risco de segredos serem revelados. Segundo a PF, Manoel Mendes Rodrigues, o 'Manolo', operava paralelamente ao grupo criminoso. Ele foi designado a fazer um combinado financeiro a fim de comprar o silêncio de Joana Mourão.

O tratado foi por meio de uma empresa de fachada do ramo imobiliário que realizaria transferências de dinheiro para conter a crise.

Esse cenário ecoou no STF que viu no sistema traços visíveis de obstrução de Justiça, o que ficou evidente na manifestação do ministro relator do caso, André Mendonça.

No julgamento sobre a  manutenção das prisões preventivas do pai e primo de Vorcaro, Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro respectivamente, a Segunda Turma formou maioria para mantê-los presos.

A defesa do pai do banqueiro nega as acusações de suborno.

Neste caso, os advogados afirmam que as conversas e repasses de dinheiro a família do Sicário são referentes unicamente a contratos comerciais legais sobre comissões de atividades imobiliárias, firmados em 2021 , o que afasta qualquer associação de suposta compra do silêncio ou com atividades ilegais.



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