No detalhe: os motivos táticos que mantêm Endrick atrás na disputa por espaço na Seleção

Utilizado pelo lado direito no Lyon, atacante disputa espaço em uma função diferente daquela imaginada pela torcida

| GLOBOESPORTE.COM / LEONARDO MIRANDA


Endrick - Seleção Brasileira - Copa do Mundo — Foto: IMAGN IMAGES via Reuters/Caean Couto
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Só se fala nele: Endrick! Após o empate por 1 a 1 com o Marrocos, o atacante chamou a atenção por não ter entrado em campo, mesmo com o desempenho discreto de Igor Thiago e a dificuldade da Seleção para criar oportunidades.

Como você leu aqui, Carlo Ancelotti tem tratado a evolução do jovem atacante com paciência. Mas a explicação para a falta de minutos vai além da idade ou da experiência internacional: está também no desempenho tático e técnico do atacante na temporada.

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Apesar de vestir a camisa 9, Endrick não joga como centroavante no Lyon.

Desde sua chegada ao Lyon, o atacante disputou 22 partidas, sendo titular em 20 delas, com 10 gols e seis assistências. Ao todo, participou diretamente de um gol a cada 109 minutos em campo. No 4-2-3-1 do treinador Paulo Fonseca, Endrick ocupa o corredor direito em uma linha de três meias, com Khalis Merah centralizado e Afonso Moreira na esquerda.

Na vitória sobre o PSG em abril, Fonseca utilizou um 4-3-3 em que Khalis Merah atuava como falso nove e Endrick partia novamente da direita. Veja na imagem abaixo:

Nesse posicionamento, Endrick consegue explorar duas de suas maiores qualidades: a explosão física e a capacidade de atacar os espaços. Em vez de ficar preso entre os zagueiros esperando a bola chegar, ele parte do lado direito e aparece na área em velocidade.

No tatiquês, esse movimento é chamado de atacar a profundidade: correr nas costas da defesa para receber livre ou chegar antes da marcação.

GOL CONTRA O PSG É EXEMPLO DA MOVIMENTAÇÃO

O melhor exemplo aconteceu justamente contra o PSG, principal força do futebol europeu na temporada. Na vitória do Lyon por 2 a 1, Endrick começa o lance do primeiro gol pelo lado direito. Ele não fica enfiado entre os zagueiros. Parte da direita enquando a defesa do PSG ainda está se reorganizando e aproveita o espaço às costas para chegar de surpresa entre os zagueiros e abrir o placar.

Não é apenas no momento do gol que essa característica aparece. Durante boa parte do jogo, Endrick recebe a bola aberto pelo lado direito, parte para cima do marcador e acelera em direção à área. Em vez de atuar entre os zagueiros, esperando cruzamentos ou jogando de costas para o gol, ele aparece de surpresa nos espaços deixados pela defesa.

O mapa de calor da temporada comprova: a maior concentração de ações acontece justamente pelo corredor direito.

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