Sem insumos, Laboratório Central manda pacientes do SUS procurarem clínicas particulares

A falta dos materiais estaria ligada ao calote da prefeitura em fornecedores

| TOP MíDIA NEWS/BRENDA SOUZA


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A falta de materiais para realização de exames no Laboratório Central de Campo Grande tem dificultado a vida de pacientes da Capital que não têm condições de pagar pelos exames. Segundo os relatos, alguns procedimentos não estariam sendo realizados há meses, o que tem levado pacientes a buscar atendimento em laboratórios particulares.

Uma campo-grandense procurou o TopMídiaNews, afirmando ter acompanhado o marido até o Laboratório Central nesta segunda-feira (15). No local, segundo ela, funcionários teriam informado que determinados exames deixaram de ser realizados por falta de insumos.

'Os próprios funcionários falaram que não estão fazendo exame de urina há meses, além de exames de TGP (transaminase pirúvica) e vários outros', relatou.

Ainda conforme a denunciante, os servidores teriam atribuído a situação à falta de pagamento dos fornecedores responsáveis pelo abastecimento dos materiais utilizados nos exames.

O marido da moradora recebeu o pedido médico na semana passada e procurou a unidade para realizar os procedimentos. No entanto, segundo ela, foi orientado a buscar atendimento em laboratórios particulares. 'Na recepção, eles já mandam os pacientes procurarem um laboratório particular ou de tabela social porque não têm material para fazer os exames', afirmou.

O assunto não é novo em Campo Grande, já que, desde o começo do ano, a prefeitura vem assumindo uma dívida de mais de R$ 331 milhões com fornecedores e terceirizados.

Os dados constam no Relatório Resumido da Execução Orçamentária do 1º quadrimestre de 2026, publicado no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) em maio deste ano.

Conforme o relatório, o valor está descrito no tópico “Restos a Pagar Processados”, modalidade usada quando a despesa já foi reconhecida pela administração pública, ou seja, o serviço foi prestado, conferido e liquidado, mas o pagamento não foi efetuado.

Segundo o documento, a prefeitura inscreveu R$ 331.080.983,08 nessa categoria. Até abril deste ano, parte da dívida havia sido quitada, porém ainda restavam R$ 62,9 milhões pendentes de pagamento.

Embora o documento não detalhe os nomes das empresas credoras, os setores afetados tendem a envolver contratos de terceirização e manutenção da máquina pública, especialmente nas áreas de limpeza pública; merenda escolar, segurança, saúde, manutenção urbana, obras e infraestrutura.

A reportagem procurou a prefeitura para falar sobre o assunto, mas, até a publicação desta matéria, não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestação futura.



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